Economia e educação

Caros e caras,

O tema é vasto demais para poder sequer arranhá-lo aqui, mas gostaria de chamar a atenção para algo que tem surgido nas conversas em toda parte: a educação. O tema obviamente não é novo. Para começar, Mário de Andrade dizia que “A saúde e as saúvas, os males do Brasil são”. Eu acrescentaria, e a educação. Explico.

De nada adianta crescimento econômico sem que haja um investimento na educação básica de qualidade. Para fazer isso, é preciso investir no professorado. Trata-se de um círculo vicioso. Como a profissão é, em geral, mal remunerada, tem-se dificuldade em atrair bons profissionais para trabalhar na educação básica, e os que o fazem, acabam desmotivados. Já temos um grande déficit nessa área, e temos problema de falta de mão de obra qualificada em muitas profissões, como a engenharia, o direito, a filosofia etc. Só na área de Filosofia, estima-se um déficit de 130 mil professores. Como a disciplina se tornou obrigatória, ela é ministrada por professores de outras áreas.

Não são só os professores que são desmotivados, os alunos também, em grande parte devido à desorganização da rede escolar pública, com falta de professores, instalações deterioradas, falta de material e rigidez ou inadaptação do currículo. Não digo que não haja pessoas bem intencionadas e competentes por trás das secretarias de educação, do próprio Ministério da Educação, que reputo um dos melhores do atual governo. O problema é estrutural. Não falo das falhas do ENEM, que considero circunstanciais. O problema é tão evidente que ele certamente será sanado, e o instrumento, mantido.

Se o Brasil quiser aproveitar o bom momento econômico que está vivendo, deve investir com todas as suas forças na área de educação. Esta é a base para o crescimento sustentável. Para tanto, deve melhorar a remuneração dos professores do Ensino Fundamental e Médio, e a partir daí, exigir qualidade, premiar a produtividade, e assim por diante.

Uma experiência interessante que começou a ser posta em prática é a Iniciação Científica para o Ensino Médio. É uma iniciativa do CNPq, que está concedendo bolsas a Universidades que possuam colégios associados, de aplicação. É o caso da PUC-Campinas, que foi contemplada com 20 dessas bolsas, voltadas para alunos do Colégio Pio XII. Obviamente, o caráter dessa iniciação deve ser adaptado à idade e conhecimentos de um(a) aluno(a) de 15 ou 16 anos, mas o objetivo é atraí-lo para a pesquisa, desde cedo.

Não tenho refletido o suficiente sobre o tema, mas voltarei a abordá-lo em outros textos. Contribuições são bem-vindas.

 Abs. a todos.

 Luiz Paulo Rouanet

Anúncios

Um comentário em “Economia e educação

  1. RODRIGO LEAL disse:

    Professor, também acredito que o buraco da educação é bem mais embaixo do que se possa imaginar. Faz todo sentido dizer que o problema é estrutural, isso explica o porquê das falhas do ENEM 2008, 2009, 2010, 20….

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s