O filósofo e a formiga

Caros e caras,

Estou há algum tempo sem escrever, buscando renovação. O tempo e a lide diária se encarregam de prover novos materiais, sem que os procuremos.

Correndo no bosque, praticando exercícios, meditando. Alongando minha perna, fico um minuto com a perna estendida, parada; depois, mais um minuto na outra perna. Vejo uma formiga que passa carregando uma folha maior do que ela. Ocorreu-me que ela (provavelmente) não se pergunta se ela pode ou não realizar esse trabalho, se terá forças para tanto. Ela apenas realiza a tarefa que a necessidade do formigueiro, e da rainha, impõe. Similar ao princípio japonês do “esforça-te”, que substitui a noção ocidental de “boa sorte”. Os orientais, também observando a natureza, chegaram a essa conclusão muito antes de nós.

De qualquer modo, esta reflexão, a que chego por experiência própria, e não através de livros, sedimenta-se muito mais e reforça minha vontade. A transposição para o cotidiano é clara: não fique se perguntando se pode fazer alguma coisa: faça! Atue com as consequências. É claro, se encontro um adversário muito mais forte do que eu, tenho todo interesse em evitar a luta, mas tenho que estar preparado caso ele resolva me atacar, em um estado de atenção sem intenção. Isto é fruto da meditação e do exercício contínuo. Os gestos são automatizados, internalizados, não devem ser objeto de atenção consciente.

Uma coisa é falar isso, outra é colocá-lo em prática. Daí a necessidade dos exercícios periódicos. Não precisa ser todos os dias, mas é importante que haja regularidade – para mim, de duas a três vezes por semana, acompanhado de corridas e exercícios físicos.

Alguém poderia perguntar se não se trata de tempo demais dedicado à prática de exercícios físicos. Eu responderia, em primeiro lugar, que não se trata “apenas” de exercícios físicos, pois constitui também treinamento mental. Em segundo lugar, não é tanto tempo assim. Para as corridas, gasto em média 30 minutos, entre sair de casa, correr no bosque e me exercitar, duas ou três vezes por semana. Para o Judô e, eventualmente o Kung Fu, dedico cerca de duas horas por dia, em média duas vezes por semana. Em compensação, a disposição física e mental que isto me proporciona permite que me dedique mais concentradamente ao estudo e ao trabalho.

Não se trata de desprezar a cigarra, como na célebre fábula, pois temos que ter nossos momentos de cigarra, de cantoria, de lazer, mas com certeza não devemos também efetuar a inversão de desprezar o trabalho da formiga, pois ali pode estar o segredo.

Ab. a todos,

Luiz Paulo Rouanet

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