Osama bin Kadafi

A rapidez das notícias hoje em dia coloca em xeque o poder da mídia tradicional, especialmente a impressa, de dar conta da enxurrada de acontecimentos que, às vezes, nos bombardeiam. Não por acaso, os jornais estão apostando nos novos formatos, nos novos aparelhos de difusão de informação, como i-pads, i-phones, mensagens de Twitter, Facebook etc. Isto não significa que a mídia impressa irá desaparecer, mas seu papel pode ser outro, o de conter análises mais profundas, com tempo de checagem de fontes e correção de erros.

Neste momento, recebemos, no intervalo de menos de 24 horas, duas notícias de impacto: o bombardeio de palácio do ditador líbio Muamar Kadafi, no qual teriam morrido um de seus filhos, Saif al-arab Kadafi e três de seus netos, e o anúncio da morte do terrorista Osama Bin Laden. Estes dois acontecimentos, aparentemente, não têm relação, mas em um olhar mais amplo, podem sinalizar a mudança de direção do vento no combate ao terrorismo internacional.

Kadafi, como se sabe, deu suporte ao terror na década de 1970, sendo relacionado a pelo menos dois atentados a aviões, um deles em Lockerby, na Escócia, além de dar abrigo a terroristas procurados. Depois, quando foi morto um de seus filhos, em bombardeio semelhante por parte dos EUA, mudou o discurso, e passou a ser tolerado e mesmo apoiado pelos países ocidentais. O mesmo se deu com Arafat, antigo terrorista, que também mudou de discurso, mas passou seus últimos anos em um bunker, milionário, acusado de desviar dinheiro dos palestinos. Bin Laden, nessa época, também foi treinado e apoiado pelos EUA, para ajudar a combater os soviéticos.

O mundo mudou, mas a política dos EUA demorou a perceber isso, e a se adaptar a uma era pós-guerra fria.

A opinião mundial mudou mais uma vez. Agora, com a difusão da Internet, fica cada vez mais difícil fazer política de bastidores, pois a transparência é muito maior, e as informações não podem mais ser escondidas, como mostrou o WikiLeaks. Agora, os governos são obrigados, muito mais do que antes, a seguir a opinião pública, pois dependem de seus votos. Nunca a democracia teve um poder tão grande como agora, na era da comunicação à distância, na era da Internet. Esta foi a grande invenção que levou o mundo à transformação: tudo o mais decorre de sua utilização, independente do nome do programa que se utilize, dos aparelhos que se tenha.

Falta a China, que tem mantido seus firewalls e continua a repressão, como mostra a prisão do artista Ai Weiwei, em 03 de abril de 2011. Creio que os hackers poderiam voltar suas baterias para a derrubada do muro virtual que impede os chineses de aderirem a essa Revolução mundial. Mas tem que ser um movimento no estilo de Gandhi, da não-violência, como foi feito na Praça da Paz Celestial, pois o exército chinês é muito forte, e nenhuma nação está interessada em abrir nova frente, especialmente contra uma grande potência. Assim como ninguém teria, por enquanto, cacife para levar autoridades americanas a julgamento por crimes de guerra, também não há poder hoje capaz de impedir o governo chinês, pela força, de mudar sua postura. A luta tem que ser inteligente, utilizando armas virtuais, armas intelectuais, as únicas de que deveria se servir o Esclarecimento.

Quanto a Osama Bin Laden, já vai tarde! Dez anos depois, morre o sujeito que inaugurou o século XXI, como mentor dos atentados às torres gêmeas, em Nova York, que mataram entre 3 e 5 mil pessoas e deram ao terrorismo uma escala mundial jamais vista. Ironicamente, ele pode ter desencadeado o processo que, hoje, leva à derrubada de regimes tirânicos em várias partes do mundo árabe: os talibãs, no Afeganistão, Saddam Hussein, no Iraque, pela força das armas, e Ben Ali, na Tunísia, Hosni Mubarak, pela pressão da população e, próximos na lista, Muamar Kadafi, na Líbia, e Assad, na Síria. É ou não uma revolução?

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