Balanço do primeiro ano de mandato

 

Balanço do primeiro ano de mandato

 

 

Nos últimos dias, a Presidente Dilma tem adotado uma série de medidas que só podem ser elogiadas. Entre outras coisas, vetou a utilização do FGTS para as obras da Copa, sancionou a lei antifumo para todo o território nacional e até agora barrou o aumento para o judiciário, embutido no orçamento para 2012, comprando assim briga com o PMDB. Como explicar essa série de medidas no final do ano?

Em primeiro lugar, pode-se descartar, à primeira vista, intenções eleitorais, pois ela está apenas no final do primeiro ano de seu mandato. O que se tem a impressão é de que agora começa de fato a governar. Esteve ocupada, nos primeiros dez meses de governo, em compreender  e controlar a máquina governamental (se bem que já o fizesse dos bastidores da Casa Civil, antes, mas sem posição de comando), por um lado, e por outro em lidar com as sucessivas denúncias contra Ministros e assessores do segundo escalão, em sua quase totalidade herdados do governo de Lula. As denúncias procediam (não eram mera “campanha” da imprensa burguesa), tanto que quase todos perderam os cargos. Os que permaneceram, muito provavelmente serão expelidos na proclamada reforma ministerial do início de 2012 (com a possível exceção de Pimentel, caso não surjam novas denúncias, por ser do PT).

Especialmente no último caso, do aumento do judiciário, a Presidente revela coragem incomum, uma vez que corre o risco de perder parte do apoio do principal partido de sustentação, o PMDB, o que pode levá-la ao isolamento. Isolada é como vejo a posição da Presidente. Mesmo dentro de seu próprio partido, tem que negociar com os setores mais radicais. O PT hoje é um partido bastante plural, mas com uma estrutura muito centralizada, em que pese sua antiga diferença em relação ao “centralismo democrático” tão criticado em outros partidos de esquerda, por ocasião de sua fundação.

Entre os outros partidos de sustentação, há aqueles puramente fisiológicos (hoje), como o PTB, o PL e vários outros. O PSB é estrela solitária, mas sem força, por si só, para dar sustentação ao governo. Os partidos de esquerda, especialmente o PC do B, têm sido envolvidos também nos escândalos de corrupção envolvendo ONGs.

Quanto à oposição, por fim, ora, a oposição… Não há! O PSDB hoje se esboroa, diante de denúncias, de sua inépcia enquanto real opositor. Não soube aproveitar chances reais de se fazer valer como partido alternativo, e agora amarga a perda da identidade e sua crescente irrelevância em nível nacional, excetuando seus nichos estaduais, especialmente em São Paulo. É muito pouco.

Então, a Presidente Dilma decidiu governar sozinha, seguindo a máxima divide et impera, com a ressalva de que ela não precisou fomentar a divisão dos partidos, pois os próprios políticos se encarregaram disso. Nosso grande problema diz respeito à falta de qualidade da composição político-partidária em nível nacional. Parabéns à Presidente Dilma em seu primeiro ano de mandato, pois ela está se revelando bem superior à média dos políticos nacionais.

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