Meu corrupto favorito

As próximas eleições representarão a escolha do corrupto favorito. Os argumentos racionais, cada vez menos, têm lugar no debate político. Não adiantam razões para se votar ou não votar em alguém. As escolhas são feitas de antemão, de maneira emocional, e não há nada ou ninguém que faça o eleitor mudar de ideia. Isto também vale para quem vota nulo ou branco.

Outro dia, uma pesquisa encomendada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), que visava medir o grau de satisfação com o governo perguntava, por exemplo, o que o entrevistado achava da política em relação à taxa de juros. A maioria dizia desaprovar (84%) (Estado de São Paulo, 01/08/2017, “O estado de espírito da população”, p. A3). Mesmo estando ainda alta (9,25%), houve significativa redução em relação ao que vinha sendo adotado. O mesmo se aplica em relação ao combate à inflação, projetada este ano para 3,6%, e desaprovada por 77% da população.

Não se trata de defender este governo, ou qualquer outro, mas de questionar: 1) a metodologia da pesquisa, que coloca questões que, na verdade, não podem ser respondidas; 2) o discernimento da população, a qual, sem informação concreta, é contra “tudo o que está aí”. Seria uma versão negativa do famoso mote anarquista: “Hay gobierno, soy contra”. Trata-se de um voto não qualificado, que não se orienta por meio de informações e argumentos racionais.

A preocupação, aqui manifestada, se dá em relação ao tipo de democracia que temos. Trata-se de uma democracia não qualificada, feita sem base em informações e com motivações apoiadas unicamente em emoções e sentimentos, não em razões. É preciso qualificar nossa democracia, e para tanto, é preciso insistir na formação das novas gerações, por meio do ensino em seus diversos níveis – básico, médio, técnico e superior.

Assistiu-se a tristes espetáculos, tanto no processo de Impeachment da Presidente afastada Dilma Rousseff, quanto na rejeição da denúncia por parte da Câmara, em 02/08/2017. O espetáculo a que me refiro é o desfile de discursos de pessoas com claras deficiências de formação, refletida nos pobres discursos que proferiram então como agora. Dá vergonha, não tanto pela posição tomada naquele primeiro caso, como neste último, mas por mostrar que chegam ao Congresso os piores alunos. Foram os alunos que não foram reprovados, quando isto era possível, e que agora nos representam. Nossa democracia precisa ser qualificada, para dizê-lo uma última vez, e para isso é preciso investir na educação, agora como sempre.

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